Os diretores Beto Carminatti e Diego Lopes comentaram sobre as produções apresentadas em um mostra na PUCPR e apresentaram um panorama do cinema curitibano atual
O curta-metragem curitibano Beti estreou na última terça-feira, 22, em clima de expectativa por parte dos idealizadores. O filme produzido pela agência Enquadros foi exibido juntamente com mais cinco filmes de alunos do 6º período do curso de jornalismo noturno da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). O evento aconteceu no auditório Tristão Athayde, localizado na PUCPR, sob a orientação da professora de Produção Jornalística em Cinema, Celina Alvetti.
O filme de 12 minutos, dirigido por Mayara Locatelli, narra a história da psicopata Beti (Rafaela Zimermann) que viu na arte da manipulação uma fonte de renda e mordomias. A golpista só não imagina que seus planos não são um segredo apenas dela e tem grandes surpresas ao longo da narrativa. A elaboração do roteiro desse projeto teve início no segundo semestre de 2011. Mesmo sabendo que não receberiam cachê para participar do filme, mais de 20 atores se inscreveram por Facebook ou pessoalmente. Do total, sete foram selecionados.
A exibição contou com a presença de nomes de destaque do cinema local e nacional. Um deles é o jovem paranaense Diego Lopes - cineasta e supervisor do curso de cinema digital no Centro Europeu. O outro é o experiente Beto Carminatti, que há vinte anos atua no mercado de cinema e vídeo, tendo como trabalho mais recente a minissérie histórica intitulada “Amor em tempos de guerra”.
Após a mostra, a plateia ouviu os dos dois cineastas convidados, que deram as suas primeiras impressões sobre os filmes - além de um panorama atual do cinema acadêmico local. Em relação ao filme Beti, o cineasta Carminatti elogiou a ideia da história mas enfatizou que o desenrolar da narrativa teve algumas falhas. No entanto, o diretor de cinema incentivou a produção porque “o bacana desse espaço (acadêmico) é que se trata de um exercício de aprendizado em que não há a obrigação de fazer um trabalho perfeito”.
Segundo Carminatti, o filme Beti e os outros cinco curtas-metragens têm uma qualidade superior do que muitas produções realizadas por alunos de outras instituições acadêmicas. Cada vídeo mostrou peculiaridades positivas como boa atuação, contextualização, fotografia, entre outros.
Um dos pontos mais debatidos pelos convidados foi o roteiro. Segundo eles, é fundamental que exista um comprometimento com a escrita, um roteiro que conte boas histórias. “Um roteiro ruim nunca vai ser um bom filme. Um bom roteiro pode ser um filme ruim” ressalta Diego.
Ficou claro também a importância de contar histórias pertencentes à realidade de quem às produz. “Não queira escrever sobre o astronauta que está tentando consertar o satélite da NASA. O que você entende disso?” ironiza Carminatti.
Confira o curta-metragem Beti clicando aqui.
Texto: Muriel Aquino
Edição: Mayara Locatelli
Foto: Muriel Aquino
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