quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Crítica do filme "Tudo bem" (1978)

Arnaldo Jabor

Arnaldo Jabor antes de ser cineasta ou jornalista, é um crítico. Tudo Bem, filme de sua autoria do ano de 1978 não poderia deixar tal característica de lado. É por isso que a Cinemateca de Curitiba vai fazer uma exibição na Sessão Cineclube no dia 29 de novembro às 13 horas. Tudo Bem critica a sociedade de maneira cômica e relevante. Elementos tipicamente brasileiros são recorrentes: menção ao feijão, camisetas escrito “Brasil”, a música tanto nordestina quanto o samba assim como crenças populares fazem com que a atmosfera do filme seja extremamente nacional. Juarez (Paulo Gracindo) é o chefe de uma família de classe média que depois de 26 anos de luta da esposa Elvira (Fernanda Montenegro) resolve fazer uma reforma. Em meio a diversos conflitos, Juarez tem influência de três personagens em sua personalidade: um poeta, um integralista e um industrial italiano. Elvira tem em seu imaginário que Juarez tem uma amante: Valdete. Ela mesma pega dinheiro da carteira do marido e coloca a culpa na suposta amante ou mesmo nas empregadas. Tudo isso mostra a preocupação de Jabor em dar intensidade e profundidade as suas personagens. Se colocando em posição de vítima e sendo muito egoísta, Elvira dificilmente dedica atenção aos filhos: Vera Lúcia (Regina Casé) e Zé Roberto (Luiz Fernando Guimarães), ela sem muita intelectualidade, ingênua, que se preocupa em encontrar um marido e ele como um empresário oportunista. Ao contrário do que se vê hoje, o roteiro de Jabor é de uma história mais linear, tendo características de seriado, já que Tudo Bem faz parte de uma série de filmes chamada “Trilogia do Apartamento”. O cortes não são dinâmicos, mas isso não faz, de maneira alguma, o filme ficar pesado sendo que a fotografia é clássica e bem feita. Possivelmente, Jabor teve influências do Film noir – Elvira, é uma personagem feminina de condutas questionáveis, temas como cinismo e paranóia são abordados, além de altos contrastes de preto no inicio e no final do filme. Tudo Bem não é um filme “mastigado”, e passivo de várias interpretações. Como o próprio Arnaldo Jabor, é altamente recomendável.

Trecho do filme:
http://www.youtube.com/watch?v=WssHnTs4RkU

Texto: Elizabeth Bannwart
Edição: Flávia Andrade
Imagens:Divulgação

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